Ética em debate
25.03.2017
Saulo Ohara - O professor da Isae/FGV Antonio Raimundo dos Santos:
O professor da Isae/FGV Antonio Raimundo dos Santos: “Cada vez é maior a necessidade do aditivo social, que é a confiança”

 

A ética, a corrupção e a influência da Operação Lava Jato na conduta de indivíduos e empresas estiveram no centro do debate durante a 8ª edição do EncontrosFolha, realizada nesta quarta-feira (22) em Londrina. O evento teve como tema a “Transparência e a ética nas empresas: Reflexões da Lava Jato” e trouxe como convidados o Diretor de Educação do Isae/FGV Antonio Raimundo dos Santos, que ministrou a palestra principal “Ética – um ativo empresarial”, e os painelistas Carlos Fernando dos Santos Lima, procurador regional da República e membro da força-tarefa da Lava Jato, o advogado Marlus Arns e o diretor da Construtora Plaenge, Alexandre Fabian.Considerada pelo Ministério Público Federal a maior investigação de corrupção e lavagem de dinheiro da história do Brasil, a Operação Lava Jato, deflagrada em março de 2014, contribuiu para a disseminação entre a classe empresarial do conceito de compliance – termo em inglês que significa o esforço de conformidade legal -, reforçada pela promulgação da Lei Anticorrupção (12.846/2013) e da Lei de Responsabilidade das Empresas Estatais (13.303/2016).

“Há 15, 20 anos, nós não tínhamos uma preocupação evidente com o tema. O tema emergiu à medida que a sociedade se torna mais complexa. Cada vez é maior a necessidade do aditivo social, que é a confiança”, disse Antonio Raimundo dos Santos. “Esse é o momento em que as empresas públicas e privadas têm a oportunidade de se reposicionar no mercado por meio do compliance, que nada mais é do que condutas éticas apropriadas e necessárias para que cada pessoa se posicione dentro da empresa e a empresa no mercado. Quando todos tiverem feito o compliance, teremos um ambiente melhor”, destacou Marlus Arns.

O diretor da Plaenge ressaltou, porém, que o compliance deve ser mais que um conceito. “Não resolve nada o compliance se os proprietários das empresas não tiverem isso arraigado como princípio”, disse Fabian.

As condutas empresariais decorrentes da Operação Lava Jato, afirmam os convidados do evento, apontam para uma transição no ambiente econômico, com reflexos também no âmbito social. Atitudes de prevenção e análise de risco passaram a ser adotadas pelos empresários, mas é preciso comprometimento de toda a sociedade para que as transformações ocorram. “O único titular do poder é o povo. Nós todos temos que participar, virar uma liderança. Vamos agir, dar um passo que seja cada um de nós além das nossas obrigações diárias para que as coisas mudem”, destacou Carlos Fernando Santos Lima. “A Lava Jato é uma oportunidade apenas, mas não muda nada o sistema”, acrescentou o procurador.

“Os desafios são gigantescos, mas também tem condições de resolver. Para isso tem que funcionar o sistema de controle interno (das empresas), o controle preventivo. Prevenir os problemas é, de fato, o desafio que o País tem hoje”, avaliou o mediador do debate desta quarta-feira, o jornalista e presidente do Observatório de Gestão Pública de Londrina, Fábio Cavazotti.

O superintendente do Grupo Folha, José Nicolás Mejía, observou que o evento expôs os diferentes pontos de vista sobre um mesmo tema, mas que ao final convergiram para uma única solução. “É preciso encontrar um caminho a ser desenvolvido para melhorar a sociedade como um todo, a sustentabilidade das empresas. Como empresas a gente vê a importância de criar um processo de ética, de compliance, de fazer controles internos reais e esse é um processo contínuo.”

O EncontrosFolha é promovido pelo Grupo Folha e conta com o patrocínio da Vectra Construtora e Isae/FGV. O evento acontece três vezes por ano, como um espaço de debate de temas relevantes para o desenvolvimento do Paraná.

A cobertura completa do evento será publicada na edição do fim de semana.

Simoni Saris
Reportagem Local
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